terça-feira, 25 de setembro de 2012

Dialogando o fim: Episódio Piloto: Contando ninguém acredita...

INDEXAÇÃO: Conheceram-se. Apaixonaram-se. Moravam em lugares distantes. Ambos, iniciando uma nova vida profissional. 2007. Caos Aéreo.




Toca o telefone. É ele. Atende no segundo toque...

Ele: Tá ocupada?
Ela: Não, não...
Ele: O que vc tem? Pq tá estranha assim?
Ela: Estou triste... Contigo...
Ele: Ainda bem que desta vez, vc foi direta... Eu te magoei?
Ela: Sim... Lembra da nossa conversa semana passada? Em que te falei como me sentia e perguntei o que tu sentias?
Ele: Sim, dissemos que continuaríamos a nos falar, que essas coisas não se resolviam assim...
Ela: Exato... E não nos falamos mais, né?
Ele: Não... Sobre isso, não... Não entendo porque ficar triste comigo... Achar que te magoei... Faz eu me sentir mal, sem eu ter culpa de nada... Fica toda estranha... Tratando mal...
Ela: Eiiii... Não estou te tratando mal!
Ele: Saiba que isso é tratar mal sim...
Ela: Estou, apenas, tentando demonstrar que tem alguma coisa errada... Na boa, sem brigas...
Ele: Agora até pode ser, mas vc mudou de atitude sem falar... Não respondeu meus recados, não me deu retorno...
Ela: Eu estava precisando de um tempo pra cabeça, para não enfiar os pés pelas mãos... Mas estou aqui, agora, conversando...
Ele: Continua...
Ela: Tu realmente não sabe pq estou triste contigo?
Ele: Não... Quer dizer... Posso até saber, mas quero escutar de vc...
Ela: Tu partiu meu coração...
Ele: Vc acredita em um relacionamento a esta distância?
Ela: Quero acreditar, mas não vejo perspectivas... Senti que o último adeus foi definitivo...A vida não tem graça quando não estás junto...
Ele: Eu sei... Mas não acredito em um relacionamento a esta distância... E não digo isso, apenas porque está no meu "Manual de Vida", mas porque senti muito a sua falta... Sempre louco para ir, sem ter como e, mesmo assim, indo... Passando cartão de um para passagem de ida e de outro para passagem de volta... A doidera de querer estar junto e aquele monte de coisas que vêm atrás... A gente fica com uma pessoa, sem imaginar que pode virar o que virou... E estas coisas são raras... E eu sei que eu sofro... Então prefiro dar um "cut wave" no meu sentimento do que sofrer sempre... Por exemplo, passo na frente do hotel que vc ficou, na padoca das 10h e já dá saudade...
Ela: Já quebrei minha cabeça para achar uma solução. Acho que eu ir praí neste final de semana só vai agravar a situação...
Ele: Quase não fui da última vez... Mas não me aguentei. Do jeito que eu gosto de vc, a parte ruim só iria se agravar... Só não se agravaria se não tivesse tanto sentimento envolvido...
Ela: Mas eu não consigo ser metade... É tudo ou nada... Não dá pra continuar como está...
Ele: Nunca encontrei ninguém igual... Eu pedi para vc ser ruim comigo, lembra? E era sério...
Ela: Seria mais fácil se tivéssemos sido ruins um com o outro...
Ele: Vem morar aqui... Ou eu aí...
Ela: Tu sabes que acabei de abrir um escritório...
Ele: Ou ter um jatinho e ser milionário...

Risos dois dois lados, que antecede o primeiro silêncio...

Ele: Difícil quando silenciamos... Tenho a sensação que se prolongassemos a conversa, nosso amor também perduraria...
Ela: Muito difícil...
Ele: Não te chamar mais de amorrrrrr, de lindaaaaaaaa, mandar beijossss pra vc... Sem nossas metáforas...

A multiplicação das últimas letras representava a intensidade do sentimento...

Ela: Não fica triste... Ou passa esta tristeza para mim... Morro só de pensar em te ver assim...
Ele: Vc consegue não ficar?
Ela: Desliga primeiro?
Ele: Não consigo! Desliga vc!
Ela: Não tenho coragem! Desligaaaa!
Ele: Como pode ser tão difícil... É só apertar um botãozinho...

E ouviu-se dos dois lados da linha o som do "tum tum tum tum", ao mesmo tempo...

Como diria Ary Santos: Partir é sempre morrer um pouco...

Cada um morreu um pouquinho naquele instante...

Porém, este fim significou um novo (e belo) começo em suas vidas...

(Mas isso é conteúdo para outro texto!!!)

FIM (Final feliz porque são boazinha. Quase "assassinei" o mocinho da história, por incentivo da Louise... hehehe)

P.S. E o Carpinejar postou ontem (achei adequado!):

Gafe é fingir que nada aconteceu. 
Tragédia é romper uma história como se fosse apenas mais um emprego.
Loucura é seguir adiante, sem um mínimo de nostalgia, sem o receio de estar vivendo errado. 


P.S. 2: Obrigada à Louise Heine pela ilustração e à contribuição de uma frase do Eduardo Meira que parece ter encontrado um "novo começo" brilhante em sua vida!

Um comentário:

just KUKY it disse...

Não matou, mas morreram. É preciso matar o passado para nascer o futuro. A frase não é minha, mas tenho vários passados enterrados no jardim!

É um prazer enoooorme ilustrar para o teu blog! Sempre azordi!

Beijos =-)