sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Das coerentes incoerências do amor


Era uma vez, há muitos e muitos anos atrás (ok, ok, nem tantos assim, mas me enganem que eu gostchooooo muitchoooo!), o Reino Encantado do Orkut, em que os os usuários tinham a opção de preencher em seus perfis (ou "profile" para os mais adeptos)  sobre o seu "par perfeito".

Influenciada pela onda de "O Segredo", lembro de ter especificado os pormenores do meu par perfeito: ele deveria ser moreno, alto, bonito, elegante, atlético (que praticasse esportes regularmente) bem educado, refinado, trabalhador, bem sucedido, pós graduado, culto, inteligente, poliglota, carinhoso, romântico, gentil, de boa família. Acima de tudo, deveria ser colorado e, de quebra, se não fosse pedir muito, seria bacana se o pretendente também pudesse ser do tipo que canta Jorge Vercilo e cita Oscar Wilde.

Repelia a mais remota possibilidade de me relacionar com alguém que torcesse pro Grêmio, que mastigasse gelo ou o halls, que escrevesse ou falasse errado, que não soubesse falar inglês,  que fosse mais baixinho do que eu ou que não estivesse em vias de terminar um mestrado e começar um doutorado ou que fosse sedentário.

Quando disso me recordo, inevitável que surja um sorrisinho irônico nos meus lábios, no momento em que percebo o paradoxo. Ainda que, friamente analisando, eu continue achando que todas aquelas características lá são qualidades que prezo em um homem que gostaria de ter ao meu lado,  a experiência me mostrou quão bobos, ilusórios, idiotas e, até, prepotentes eram meus ideais de "amor".

Eis que, meus amigos, amor e química não se explicam. O desejo que vem do cheiro, do toque, do olhar, da atração, do encaixe e da admiração inexplicável não cabe em nenhuma referência prévia que se possa pretender imaginar, porque ela simplesmente se sente, no exato instante em que acontece. 

E, DIABOS!, como é difícil desta magia ocorrer...

A verdade é que, quando esta raridade maravilhosa chamada amor acontece, precisamos estar atentos para não deixá-lo escapar. Adicione aí uma porção generosa de respeito, disposição, parceria e bom humor. Não precisa nem mexer. Sirva-se e delicie-se!

E vai pouco importar se ele é alguns centimetros mais baixinho do que tu, se fala um inglês à moda do Joel Santana, se tem os dentinhos um pouco separados, se usa alpargatas de caveirinhas, se torce pro Corinthians, se está um pouco (ou muito) acima do peso ou se estoura, com barulho, a bola de chiclete. Cê vai achar tudo lindo!

O Amor é lindo e tão incoerente que desmantela, suave e sorrateiramente, sem que nos demos conta, todas as nossas convicções.
 
Basta permitir-se levar...

(E será um favor não citar Jorge Vercilo enquanto canta Oscar Wilde)


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