quinta-feira, 12 de maio de 2011

O "Carol" que vive dentro de mim


Alguém, que não é um alguém qualquer, mas "o" alguém, me disse que eu racionalizava demais. Ele fez questão de esclarecer que não se tratava de falta de capacidade de expressar sentimentos, pois isso eu tinha de sobra. Okey, Okey, Okey... Não é o ideal, mas é um pouco mais belo ser percebida desta maneira...

Acontece que nem sempre foi assim, ou melhor, nem hoje é assim com tudo e com todos. Discordo, todavia, da acusação. Sim, porque quando uma coisa é dita, assim, de sopetão, de inopino, sem que nada a respeito tenha sido perguntado, soa como uma denúncia e logo me pergunto: o que será que estou fazendo que o outro não está gostando?

Como a observação (percebam a delicadeza do eufemismo) foi solenemente proferida por alguém que me é muito caro, matutei dias e dias a fio procurando entender o que queria dizer com aquilo e se aquilo, realmente, era verdade.

Minha primeira epifania, se é que pode se chamar assim minha revelação divina, foi a de que, não falar, também é uma escolha. E devo dizer, que das escolhas mais acertadas que, geralmente, faço, pois pronunciar uma série de impropérios, desaforos, profanando verdades íntimas, trata-se da mais pura manifestação de uma alma impulsiva, imatura, impertinente e leviana.

A segunda revelação veio na última edição do Cineterapia, quando a psiquiatra e multimidia Cinthya Verri, advertiu sobre o fato da preguiça travestir-se de autenticidade: quando dizemos tudo que pensamos, sem nenhuma edição.

Ou seja, falar tudo o que se pensa, de qualquer jeito, sem oferecer com amor ou inteligência aquilo o que se quer dizer, não é autenticidade porcaria nenhuma, é pura preguiça!

Sorri, por dentro: os vários anos de divã têm me aberto os olhos, têm feito muitas fichas cairem, têm despertado o posto de saúde que existe dentro de mim.

Tenho toda atenção e cuidado para oferecer minha verdade aos outros, de modo a expressar com toda clareza meus desejos. É possível que tais desejos até não se concretizem, mas vislumbro tanta beleza e serenidade neste ato, que sonho com o dia em que o humilde e esforçado treino vire hábito. Tipo andar de bicicleta e dirigir...

Mas a realidade é cruel: o cuidado que meu adorado interlocutor interpretou como excessiva racionalidade, não funciona o tempo todo, nem com todas as pessoas. Minha natureza é impulsiva, agressiva, impetuosa,... quase burra. É o Carol que habita o Fantástico Mundo de Zabéti.

Reconheço meu Carol, respeito meu Carol, trato meu Carol com todo o amor, carinho e entendimento, porque senão, respeitável público, quem paga o pato soy yo. E é um pato que respinga L'Orange pra tudo quanto é lado, manchando relações, melando sentimentos.

Me afasto dos Carols alheios, aqueles zombeteiros danados! Vade retro Exus do Hell! Estes semelhantes aí ó, se atraem pelo sofrimento, pela disputa de beleza, pela dor e pela doença. A salvação está no afastamento ou no estabelecimento de uma distância regulamentar. Se não for possível, levante bandeira branca àqueles que, apesar de seus Carols, são preciosos demais para que fiquemos afastados. Vale até ordem de restrição, se bobear...

"Racionalizar" demais, não significa apenas não explodir, não ser reclamona, não dar piti, não fazer gritedos e escândalos, significa sim estar com os sentimentos à flor da pele, mas de forma serena, oferecendo amor em doses homeopáticas ou, até, em um gole só. Tente perceber e, quem sabe, saborear o ápice do meu esforço, aceitando esta humilde e sincera oferta?!

Ou então, queixem-se pro meu Carol. Só não abusem, porque se ele for molestado ou maltratado, o revide pode ser fatal. Se acharem ele muitoooo aterrorizante, então queixem-se pro bispo mesmo, ora bolas!

***
Obs.1. Para quem não assistiu ou não entendeu, Carol é o um dos monstros do filme Where the Wild Things Are e representa a confusão egocêntrica e impetuosidade do menino Max, personagem central da história. É a fragilidade, angústia, poder e força andando juntas. Quem não viu este filme ainda, corre pra locadora!

Obs.2. Minha maior inspiração para pensar sobre todo esse assunto são minhas conversas com Fernanda Seelig e Louise Heine. Se estas duas lindas lerem o post, vão perceber muitas ideias que trocamos, ou melhor, que vcs me presenteam. Sem esquecer a contribuição definitiva de Cinthya Verry no Cineterapia e, posteriormente, no Crônica Falada, exibido na última semana, o qual divido com vocês, como prova de todo meu carinho.


3 comentários:

just KUKY it disse...

Adorei, adorei, adorei... muitas das nossas conversas editando tudo que quer apenas sair. É o fim da preguiça!

J disse...

Só uma coisa:

Fortes razões fazem fortes ações.

William Shakespeare

Bjs

Anônimo disse...

Tinha quer ser Carol mesmo hehe... bem assim Afff... C.N.