terça-feira, 18 de maio de 2010

Para refletir: Posso Errar?

Não costumamos reproduzir textos inteiros de outros autores para compor um post, mas achei muito bacana esse da jornalista, apresentadora de tv e autora do livro Mulheres... Por quê será que elas... da editora Globo, Leila Ferreira e gostaria de dividir com nossos amados leitores e leitoras.

Tem a ver com algo que tenho pensado muito ultimamente e que só, muito recentemente, caiu a ficha para mim: qual o conceito de certo e errado? Certo e errado para quem, por quê e até quando? O que faz sentido para mim pode não fazer sentido para outro e, assim, sucessivamente. E o que faz sentido hoje pode não mais fazer amanhã e é na busca da felicidade que toda essa análise se torna imprescindível em nossas vidas!

É a tal da questão das expectativas irreais e das frustrações que enfrentamos no dia a dia e que nos tiram a possibilidade de uma felicidade possível.

Boa leitura e excelente reflexão!



Posso Errar?

Por Leila Ferreira

Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com xampu "errado". Foi num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem shopping num raio de 10 quilômetros. A única opção ra usar os dois-em-um (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel.

Opção? Maneira de dizer. Meus cabelos, superoleosos, grudam só de ouvir a palavra "condicionador". mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a escova de praxe e... surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes - tudo aquilo que meus novevidros de xampu "certo" que deixei em casa costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do quanto a gente s esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa - e a pergunta que não quer calar: certa para quem? Ou: certa por quê?

O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou um mêds para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi "certo" até colocar a aliança. O que faz surgir outrapergunta: certo até quando? Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de amanhã. Ou o conmtrário:existem homens que chegam com aquele jeito de "nada a ver", vão ficando e, quando você se assusta, está casada - e feliz- com um deles.

E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas talvez você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma já fui para várias festas me sentindo fantasiada. Estava com a roupa “certa”, mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo mesma, nem que fosse para “errar”.

Outro dia fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos problemas de saúde, e ela me respondeu: “Eu sei que está errado,mas a gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho coragem. Então eu fumo”.

Sem entrar no mérito da questão— da traição ou do cigarro —, concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou sair do tom. O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar. Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao inesperado.

O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que pergunta: “Como assim?! Você não dirige?!”. Com toda a calma, ele responde: “Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios — tem um punhado de coisas que eu não faço”. Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. Como diz Sofia, agente de viagens que adora questionar regras: “Não sou obrigada a gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar normal uma vida sem carboidratos”.

O certo ou o “certo” pode até ser bom. Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso.

2 comentários:

Roberta Granada disse...

Oi, adoro teu blog , tudo muito lindo como sempre,visite meus blogs e minha loja com peças originais e exclusivas tricotadas as mão,beijokas
http://agulhaetricot.com
http://agulhaetricot.blogspot.com
http://titacarre.elo7.com.br

F. disse...

Maaaaaana, amei o texto!!!! E ainda bem que nos é permitido errar, ou eu, como boa rapousa, teria sido mandada para a lua!!!!
Lov u
Bj bj
F.