domingo, 6 de julho de 2008

MENSAGEM A GARCIA


Há muito tempo que tinha a intenção de escrever algo sobre o texto "Mensagem a Garcia" de Elbert Hubbard, do qual tomei conhecimento quando, ainda, estagiária, ingressava no mercado de trabalho.

Não é à toa que o texto permaneceu no meu pensamento todos esses anos, já que encantou os quatro cantos mundos, tendo sido traduzido para diversas línguas, inclusive o japonês e o russo, além, de terem sido publicados mais de 40 milhões de exemplares do referido texto.

Ontem, após semanas de ritmo festivo alucinado, cansada das mesmices da Província, resolvi dar-me ao luxo de ficar na minha residência, em um programinha light. Não fazia isso há séculos!!!! Pois bem, fui até a "loucadora"(um dos produtos das organizações Ka-Boom - piadinha infame que poucos leitores entenderão de verdade...) de vídeos e retirei 2 filmes bem levinhos meixxxmooo para embalar meu sábado à noite.



Um dos filmes foi o Diabo veste Prada (que absurdamente eu ainda não havia assistido), que ruim não deveria ser já que estrelado por uma ganhadora de 2 oscars, La Streep, e por uma das it girls do momento e ícone fashion, Anne Hathaway. Se o roteiro fosse ruim, pelo menos, teria de lambuja, a visão de modelitos incríveis da cena nova-iorquina, o que me satisfaria de qualquer modo.

Não vou entrar no mérito da discussão se o filme é bom ou não (mas se querem saber a minha opinião, eu gostei bastante!!!) e o fato dele estar sendo citado aqui é porque ele me trouxe à lembrança, novamente, essa maldita estória (ou seria história????) da Mensagem a Garcia que insiste em povoar meus pensamentos.

No filme, a personagem de Hathaway, Andy Sachs, torna-se assistente da tirana Miranda Priestley (Streep), uma editora de moda que "manda prender e manda soltar" na cena fashion. Priestley é poderosa, influente, egocêntrica, esnobe, pedante, arrogante, cheia de vontades, implacável e politicamente incorreta se algo ou alguém interferir em seus interesses. Não aceita não ou desculpas e acredita, piamente, que todos seus desejos são uma ordem.

Lá pelas tantas, após fazer gato e sapato de suas assistentes (todas altas, magras, lindas, felpudas e extremamente bem vestidas), fazendo-as de suas escravinhas pessoais, ela ordena que Andy providencie a nova edição de Harry Potter ainda não publicada, para suas filhas gêmeas.

E foi nesse momento que Andy Sachs entregou sua Mensagem a Garcia. Contra todas as improbabilidades, percalços e dificuldades inerentes à missão, a personagem de Hathaway, sem questionar absolutamente nada: razão de ser, método, forma,... obteve o manuscrito desejado às voluntariosas filhas da toda-poderosa do reino da moda.

É exatamente sobre isso que o texto de Elbert Hubbard: das pessoas capazes de cumprir missões, mover montanhas, fazer a diferença no mundo, munidas exclusivamente da sua vontade, da sua competência, dos seus métodos.

Hubbard cita o personagem da vida real Rowan, segundo ele, verdadeiro herói da Guerra de Cuba:

Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte no seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o Presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?

Alguém lembrou ao Presidente: "Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan ".

Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para depois de três semanas, surgir do outro . lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregando a carta a Garcia - são cousas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente. O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou da carta e nem sequer perguntou: " Onde é que ele está?"

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze imarcescível e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O ponto crucial do texto é que E.H. afirma que assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal feito parecem ser a regra geral e que as pessoas para serem bem sucedidas, invariavelmente, têm que fazer tudo que está ao seu alcance (e também o que está fora dele), para atingir seu objetivo com sucesso.

E termina o texto de uma forma tão brilhante, que a tradução literal se impõe:


Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário, esse homem nunca, fica "encostado" nem tem que se declarar em greve para, forçar um aumento de ordenado.

A civilização busca ansiosa, insistentemente, homem nestas condições. Tudo que um tal homem pedir, ser-lhe-á de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda.

O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e precisa-se com urgência de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.


E vocês? São capazes de entregar Mensagens a Garcia? Espero do fundo do meu coração que sim!

Bjssss felpudos e um ótimo domingo!

P.S. para quem quiser ler o texto na íntegra, acessar aqui.

P.S.2 Pela vigilância epistêmica: o nome do autor aparece como Helbert e Elbert em diversos documentos eletrônicos ou não. Não foi falta de zelo da autora que vos escreve!

9 comentários:

J disse...

MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM PRECISA!!!

Nem sei dizer se concordo ou não com o texto. O ser humano é curioso, crítico e analítico por natureza, e raramente irá se contentar a realizar uma tarefa sem saber pelo menos parte do que envolve a solicitação. Em dado momento do texto, o autor chega a citar que o empregado irá questionar "Fui eu acaso contratado para fazer isso?". E, sinceramente, não acho isso ruim. Acho que foi a curiosidade que levou o homem a ser o que é hoje. Curiosidade e ambição.

Por outro lado, acho que o texto traz uma idéia fundamental, que sempre defendi e sempre defenderei, destacando o trecho: "a inabilidade
ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada
coisa e fazê-la."

DETERMINAÇÃO é tudo nessa vida. Não se chega a lugar algum sem decisões e atitudes firmes, definitivas e irrevogáveis de um projeto, um objetivo ou um sonho que se persegue até a sua conquista final. E isso ocorre tanto nas coisas mais banais, como emagrecer (determinação para fazer e manter-se em dieta), como nas coisas mais sérias da vida.

Determinação é a palavra-chave. Não sou do tipo que ouve calada, que obedece sem questionar e que aceita qualquer coisa sem critica-las. E nem acho que alguém que entregue uma carta a Garcia seja o tipo de pessoa que vá muito adiante na vida, basta assistir ao final do filme hehehehe.

Não quero robôs, seja como amigos, como namorados ou como empregados. Quero alguém que questione, que critique, que dê sujestões. Quero uma interação bem felpuda, quero ensinar e aprender com os outros.

Determinação, no entanto, é essencial sempre, seja quando somos empregados ou patrões. Acho que essa é a boa idéia que tiro do texto.

"A diferença entre uma pessoa de sucesso e as outras não é falta de força, nem a falta de conhecimento, mas particularmente a falta de determinação."
--Vincent T. Lombardi

Beijos felpudos, J.

Jurandir disse...

Cá está um dos "Equilibradores" a comentar esse post, muito bem escrito por sinal. Falando por mim, eu jamais receberia uma ordem sem questioná-la, ao menos saber o porquê de eu estar fazendo tal coisa não tirará pedaço. Eu sou um cara que tenho atitude. Personalidade. Iniciativa. Gênio forte (escorpianos são assim). E jamais mudarei o meu jeito. Concordo com a "J", eu quero uma mulher que NÃO DIGA "amém" pra tudo que eu fale, que se por acaso eu diga "vamos no cinema ver tal filme?", que se ela não quiser que ela me responda com um "quem sabe a gente vê esse outro?", mas não quero com isso bater de frente, discutir, criar atrito, nem nada. Apenas quero uma relação bi-lateral, onde os DOIS interajam. Simples assim. Como 2 e 2 são 4. É tão difícil? Pior é que é!! Aliás, terminei um relacionamento pois ela se anulou completamente por minha causa, e isso numa relação, não dá certo. Acho até que a mulher vendo o homem dizer "amém" pra tudo que vocês dizem soa mais patético ainda. Ou não? Enfim, com essa me despeço por hoje e aguardo vocês nos "Equilibradores", ok? (Jurandir)

PS: acho que meio que desvirtuei do assunto ("A Garcia"), mas valeu pelo meu desabafo com vocês duas. hehehe.

BN disse...

Quando comecei a ler o post, tive a certeza que a mana Zabéti havia escrito... sensacional!
De fato, não deixo de concordar com o comentários até então... MC definiu perfeitamente... é preciso um equilíbrio... algo entre o questionamento e a execução! Pra mim, é o Ser Coerente...
Mas, qual seria a graça se todos gostassem do rosa?

Z. disse...

Well, pessoal... Tô gostando da polêmica... Trata-se do texto mais lido no mundo inteiro e foi escrito em mil, oitocentos e lá vai pedrada... Era outro tempo, outra mentalidade... Mas o importante do texto não é a parte de questionar ou não (é óbvio que isso é controvertido)uma ordem, mas a competência e determinação, como bem expôs Mana J. de se cumprir tarefas e missões por mais difícil que elas sejam. É fácil fazer mil perguntas de como resolver um problema (a parte importante do texto é a que foca no como e não no porquê), enquanto esse tempo poderia ser usado para resolver a questão. Se a tarefa ou missão de encontrar Garcia fosse simples, não seria necessário chamar o Rowan, o único homem capaz de fazer isso. Quanto às questões pessoais abordadas pelo Jurandir, é evidentemente ululante (hahahaha), que Rapousa nenhuma, muito menos euzinha, quer ao seu lado, seja nas relações pessoais ou amorosas, alguém anulado, sem vontade própria e sem personalidade. Mas isso não tem a ver com o texto, tem a ver com o ser coerente que Mana B.N. já postou. O texto é uma exaltação àquelas pessoam que realizam, que fazem a diferença no mundo, que não medem esforços para alcançar seus objetivos e suas missões no mundo. Bjsssss

Rodrigo Cargnelutti disse...

Texto show de bola...

Z. disse...

Qual Rô? O do Elbert ou o meu? Ou ambos? :O

Rodrigo Cargnelutti disse...

O teu é claro querida...o outro é legalzinho...
Defino esse blog em uma pequena frase: "muito cult"...
Garantia de boa leitura....

J disse...

Assino embaixo RC!!!!!!! Nosso lema é cultura e diversão... quer coisa melhor??? That´s our fox lifestyle...

M.L. disse...

Tbm concordo com o RC!! Amei o post e os comentários!!! Impressive essa qualidade foxie de de somar inteligência + diversao!!! Parabéns manas!!!
Luv ya felpudas do meu cuore!!! Besitos saudosos!