quarta-feira, 4 de junho de 2008

QUEM MATOU DAUDT?


Como diz Mana J. parece que foi ontem, mas essa perguntinha nos intriga há exatamente 20 anos!

O deputado e polêmico radialista José Antônio Daudt, eleito em 1986 pelo PMDB com quase 30 mil votos, foi assassinado na noite muito fria de 04 de junho de 1988 junto ao portão da entrada do edíficio onde residia na Rua Quintino Bocaiúva, bairros Moinhos de Vento, com disparo de espingarda calibre 20.

Morreu poucas horas depois no Hospital de Pronto Socorro, para onde correram naquela noite de sábado e madrugada de domingo políticos, amigos e jornalistas à espera de notícias. Foi o crime de maior repercussão na história da polícia e do Judiciário gaúchos.

Suspeito de ser o autor do homicídio, o também deputado peemedebista e médico Antônio Dexheimer foi absolvido por 14 a 7 votos pelo Pleno do Tribunal de Justiça, por falta de provas. As investigações foram marcadas por depoimentos supostamente mentirosos, mistérios envolvendo a arma, uma curiosa janta, bastidores de festas envolvendo a vítima e uma fita parcialmente desgravada. O julgamento durou três dias e foi marcado por uma inovação; pela primeira vez na história do Judiciário do país foi usado o processo tridimensional pelo advogado criminalista Oswaldo de Lia Pires, defensor do acusado. Passados 20 anos, familiares, amigos, colegas e admiradores seguem se perguntando: Quem matou Daudt?

O texto acima foi retirado do Jornal Correio do Povo de hoje que noticia que à meia-noite prescreve o crime mais famoso da história, o que significa dizer que o autor do assassinato (que nunca foi punido) estará livre definitivamente.

Achei bárbaras e claras as definições do Juiz Ícaro Carvalho de Bem Osório ao afirmar que "a prescrição é normalmente resultado de ineficácia do aparelho estatal em elucidar um delito por meio de investigações que possibilitem a identificação e punição do acusado", bem como do criminalista Nereu Lima ao afirmar que a prescrição é "um castigo aplicado ao poder público, integrado pela Polícia, Ministério Público e Justiça" que não foi suficientemente competente para identificar o culpado.

Dexheimer hoje com 64 anos, está longe da vida política, atua como médico em Erechim, onde vive com a esposa Denise e a filha Nicole. Diz, ainda, não guardar mágoas, nem ressentimentos do caso Daudt, já que foi uma vítima das circunstâncias e do destino.

Pra encerrar, não vou entrar no mérito das contradições que compõem o caso, nem se a absolvição do Dexheimer deu-se sob premissas equivocadas ou se foi feita a justiça. Creio ser muito difícil que outro caso policial seja tão marcante quanto o caso Daudt. Eu era pequeninha, mas me lembro com muita clareza do fato, das investigações e - ai, ai, ai - principalmente do julgamento e da absolvição... Será que foi nessa hora que minha paixão pelo mundo jurídico iniciou?!

Não sei... Apesar de hoje estar ser selada a impunidade, o caso Daudt sempre nos será inspirador (principalmente pros profissionais e amantes do Direito).

E pergunto: se não existe crime perfeito, Quem matou Daudt???

***Para saber mais acesse a série de reportagens da Zero-Hora.

***Fonte do post: Jornal Correio do Povo de 04.06.2008

3 comentários:

J disse...

Nossaaaaaaaa, Z! Que lembrança!!! Não tem como esquecer do julgamento, transmitido ao vivo pela televisão - antigo Canal 2 - para todo o estado. O Rio Grande do Sul parou para ouvir a resposta que nunca veio... afinal, quem matou Daudt???

À época, eu freqüentava o GNU da Quintino e lembro de ter ficado apavorada com o caso, pois passava em frente ao local do crime quase todos os dias. Fora que eu nunca tinha visto ser noticiado um crime desta dimensão tão próximo.

Muito bem levantado por Z, o julgamento foi marcado por questões controvertidas, desde uma testemunha surda-muda até uma fita parcialmente apagada.

De qualquer sorte, não há dúvidas de que o julgamento foi um marco, talvez até maior do que o próprio crime em si. E se a prescrição é uma punição ao Poder Judiciário e o criminoso não mais poderá ser repreendido, que venha a resposta!

J.

Anônimo disse...

Simplesmente sensacional este blog!!! Mulheres lindas, mostrando inteligência e acima de tudo, personalidade e atitude!!!Todas estão de parabéns, principalmente a linda TH, que com seu sorriso maravilhoso e sua beleza, conquista qualquer coisa, inclusive a minha atenção!! Beijos

Anônimo disse...

A resposta é praticamente óbvia, vamos aos fatos, logo após o assassinato o único indiciado pelo crime já era apontado por conhecidos como o principal suspeito, até ai nada demais, pois a distância entre achar e ter certeza é infinita, mas os fatos comprovados contra o único indiciado? Vamos a eles: o veículo utilizado no crime foi um monza cinza, o reú tinha um monza cinza; a arma utilizada no crime foi uma espingarda, o réu tinha uma espingarda registrada em seu nome; na hora do crime, por volta das 22:00 hs o réu circula pelos arredores do local do crime com o seu monza cinza...