segunda-feira, 26 de maio de 2008

Eternal Sunshine of the Spotless Mind



Adoro cinema e, principalmente, filmes que me façam pensar...
Em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind - 2004), Jim Carrey, numa atuação espetacular, interpreta Joel, um cara que descobre que sua namorada Clemetine (Kate Winslet – indicada ao Oscar por esta atuação) o deletou – literalmente - de sua memória. Inconformado, ele resolve retribuir na mesma moeda...


O filme é maravilhoso e levanta uma questão na qual (quase) nunca pensamos: existem memórias ruins? E se para deixarmos de sofrer com um relacionamento passado pudéssemos apagar alguém de nossa memória? Se pudéssemos apagar todos os momentos vividos com ela? Não seria muito mais fácil? Não haveria choro, nem ranger de dentes; não haveria insônia, nem depressão, nem raiva e nem mágoa. Os momentos bons também seriam apagados, mas, em compensação, não haveria mais traição, ofensas, falta de respeito e você voltaria a ser como antes de conhecer aquela pessoa...


A verdade é que a preocupação com o estudo da memória está há décadas no centro das discussões entre psiquiatras, neurologistas, anatomistas e outros estudiosos das ciências naturais. A eliminação de memórias indesejadas tem sido, inclusive, objeto de estudos no mundo todo, de Porto Alegre (leia-se faculdade de Medicina da PUC) a New York, sendo que, de acordo com a Teoria de Broca, seria possível a localização da zona de memória no lobo frontal do cérebro (zona de Broca), sendo justamente desta forma que, no filme, Dr. Howard consegue apagar a memória do casal...


Assim, resta a pergunta: Se existisse mesmo essa borrachinha mágica, essa maquininha de apagar memória, esse milagre de ostentar um "brilho eterno de uma mente sem lembranças", quem você deletaria de sua memória sem pestanejar?


Talvez a resposta seja fácil... mas o que se aprende com o filme é uma lição muito valiosa de que, por mais que as lembranças sejam apagadas, o sentimento permanece. Aquela coisa inexplicável, que faz com que duas pessoas sintam atração uma pela outra, é mais profunda do que uma recordação, e não há como apagar... permanece, mesmo que todas as memórias sejam deletadas.


Pensando melhor sobre o assunto, cheguei à conclusão de que não devemos apagar as nossas memórias, nem mesmo as memórias ruins. Elas lembram-nos quem fomos e quem somos e ajudam-nos a decidir quem queremos ser.


Evidente que não existe quem nunca acabou uma relação e não destruiu fotos, rasgou cartas, bloqueou no msn, deletou do orkut... qualquer coisa para afastar a dor. Mas a verdade é que nada como um dia após o outro. Há de se deixar o tempo passar e dar mais valor aos amigos e às pessoas novas que vamos conhecendo. Afinal, a vida é feita de experiências.


Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças não é somente um experimento que brinca com a mente humana, é um filme triste. Um filme que foge da linguagem convencional e nos mostra as dificuldades de um relacionamento amoroso. Um filme que nos ensina que fugir do sofrimento é bobagem. Devemos encarar nossos próprios medos e fraquezas e acreditar que é possível viver o que mais tememos. Brilho Eterno nos faz sentir essas sensações que não são catalogadas. É um filme que toca naquilo que não se vê, naquilo que não se toca.


"Feliz é o destino do inocente, esquecido pelo mundo que ele esqueceu. Brilho eterno de uma mente sem lembranças!" - Papa Alexandre.

5 comentários:

Z. disse...

Nossa Joaquina... Fiquei quase sem ar de ler teu texto! Além de muito bem escrito, o tema foi tocante. Confesso que não vi o filme, mas posso dizer sem medo de errar que seu objetivo é fazer-nos refletir sobre essa questão da vida. Acredito que somos o que pensamos + o que agimos + o que sentimos e as memórias são parte desse grande contexto. Esquecer simplesmente não faz com que aprendamos a lição... É tapar o sol com a peneira, é empurrar a sujeira para debaixo do tapete, é jogar o abacaxi pra cima e seguir caminhando... Todavia, um dia, o brilho do sol é intenso demais para que uma simples peneira o contenha, um dia a sujeira aparece e um dia o abacaxi cai no nosso colo... E aí, meus amoures?!?! O que eu levo pra minha vida é a lição de que somos todos seres humanos e, portanto, passíveis de erro... Ninguém é infalível... Todavia, podemos aprender com nossos erros, não os repetindo, o que nos fará mais felizes. Apagar memórias não impede que soframos, que pratiquemos mesmos erros... Tirar lições positivas delas é que faz com que cresçamos... O Rei, Roberto Carlos resume isso de forma extremamente melodiosa: "Se chorei ou se sorri... O importante é que emoções, eu vivi!!!!". Bjsssss, Z.

Anônimo disse...

no fim das contas o que conta são as lembranças que a gente tem, não é mesmo?? mesmo das ruin ainda saem coisas boas...eu não apagaria as minhas, será que a gente não é a soma de tudo o que lembra e fez??
amei o texto!
bjos
Paula (SweetPerson)

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

Olha nós aqui, na toca das raposas felpudas!Rs. Cinema é magia pura, né? Já vi muitos filmes tocantes, interessantes e pelo que você expõe, esse não deixa de sê-lo também. Vou correndo ao cinema! Xauuuuuu...

MM disse...

Well, uma opiniao masculina para dar uma sacodida nas rapousas... :P

Em primeiro lugar, fiquei sentido por nao ter sido o para da Joaquina para ter ido ver este filme, pois afinal de contas, é sem sombra de dúvida um filme casalzete!

Em segundo lugar, jamais iria querer apagar as memorias, mesmo de uma experiencia péssima pois são das boas e ruins situacoes que tiramos nossos aprendizados, malandragens, etc etc etc...

Sem essas licoes, nao seriamos nada... Nao teriamos opiniao sobre as coisas e certamente seriamos uns idiotas vendo o faustao no domingo.

Sou grato por todas aquelas que ja tiveram a sorte de poder pisar em mim... Foram elas que me deixaram esse cara interessante que sou hoje! hehehehe

Bjssss MM

M.L. disse...

Manasssssssssss!!! Amei o texto, e concordo com vcs plenamente!!! Como já disse antes, ñ há nada mais triste do que passar pela vida sem viver!!! Mil vezes o riso, e até as lágrimas, do que a ausência de sentimento!!! E mais ainda, se a vida é um somatório dos momentos que vivemos, apagar as lembranças, mesmo as ruins, é como ñ viver por inteiro!!! Afinal, como já diria a Musa, tudo é o momentooooo!!!
Luv ya all!!! Besitos
Ps: e o tanto que o MM já foi agregado?!!